O MAXIMALISMO

 

 

Maximalismo, não Niilismo.

Todas as formas, não forma alguma.

Neûron, no grego Arcaico, não Árcade, quer dizer corda, corda para te amarrar, e também corda da lira, que te amarra mais. Harmonía, do mesmo grego, é cravo, não o cravo da cruz, mas o de encontro de neûra, nódoa. Barroca, espelho dos pensamentos: centro do quiasmo.

O termo Maximalismo vem da música, ele foi introduzido, em 1983, pelo compositor brasileiro Flo Menezes. Em suas próprias palavras: “o Maximalismo consiste na elaboração de múltiplas referencialidades”. Atenção, elaboração de múltiplas referencialidades não pode ser confundida com citações de obras alheias; isso pode até estar presente na ação maximalista, mas se trata, antes de tudo, de desenvolver elos entre as estruturas das obras, e não entre suas superfícies.

No Maximalismo, a construção das referencialidades se dá exclusivamente nas tramas do pensamento; o poeta domina a inspiração, e não o contrário. Calimaquiana, a poética maximalista é a da poikilía, a da mistura e da pluralidade de gêneros. Alexandrina, seu mito fundador brota da hierogamia de outros mitos.

Tal qual Odisseu, o industrioso, com neûra e harmoníai ata sua nau espacial, para singrar o infindo mar retumbante.